Produtividade lenta: e se fizesses menos?
Desde que acordas até adormeceres, és confrontado com um fluxo interminável de escolhas, tarefas e interrupções.
O mais provável é que, mal acordes, a primeira coisa em que toques seja o ecrã do telemóvel e que o leves contigo até à casa de banho, porque olhar para os pelos encravados na perna já não chega. Atenção, isto não é uma crítica a ti nem à tua capacidade de te sentares na casa de banho em paz.
É uma crítica ao contexto em que vivemos.
Nas últimas décadas, habituámo-nos a viver rodeados de ruído, urgência e estímulos. Chamamos-lhe produtividade, mas tem outro nome: vício.
Há sempre mais um email para responder, mais uma tarefa para fazer, mais um vídeo para ver. E quanto mais tentas acompanhar esse ritmo, mais exausto e sobrecarregado acabas por ficar.
Faz-me lembrar uma conversa entre dois krill no filme Happy Feet 2 (o krill é aquele bicho minúsculo de que as baleias se alimentam e que anda em enxames de milhões). A certa altura, um deles decide parar de nadar e diz ao amigo:
— Quero ser livre, Bill.
— Livre? Isso não existe. Vá lá, menos pensar e mais nadar com os outros.
— Estou farto de nadar com os outros. Passámos a vida inteira a fazer isso.O que achas que há para lá do enxame Bill?
— Mais enxame.
— E depois?
— Mais enxame.
— E depois?
Se calhar, cada um de nós precisa de um Will para o seu Bill. Um lado nosso que para e pergunta se o que andamos a viver faz mesmo sentido.
Produtividade lenta
Numa cultura em que ter sucesso parece ser o mesmo que estar ocupado, a solução não é fazer mais e mais depressa. É parar de reagir.
Cal Newport chama-lhe Produtividade Lenta, e assenta em três princípios:
- Faz menos. Quem faz três coisas bem chega mais longe do que quem faz doze de forma medíocre.
- Trabalha a um ritmo natural. Não és uma máquina. És um ser biológico, com ritmos, estações e limites.
- Foca-te na qualidade. A qualidade exige limites, e os limites exigem coragem para dizer que não, de vez em quando.
No fundo, a produtividade lenta é um convite a dar um passo atrás no meio do caos e perguntar: o que raio estamos a fazer, e faz sequer sentido fazê-lo?
E amanhã de manhã, deixa o telemóvel fora da casa de banho. Os pelos encravados agradecem a atenção.
Experimenta os três princípios:
- Faz menos.
Escolhe três coisas que realmente importam.
- Trabalha a um ritmo natural.
Repara em que horas do dia tens mais energia e reserva essa hora para pelo menos uma das tuas três coisas.
- Foca-te na qualidade.
Para outras, decide se as cortas, adias ou passas para outra pessoa.
Queres ir mais longe? Conhece o workshop Lead in Chaos ou o Coaching 1:1.