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Reflexões 3 min de leitura

Produtividade lenta: e se fizesses menos?

Desde que acordas até adormeceres, és confrontado com um fluxo interminável de escolhas, tarefas e interrupções.

O mais provável é que, mal acordes, a primeira coisa em que toques seja o ecrã do telemóvel e que o leves contigo até à casa de banho, porque olhar para os pelos encravados na perna já não chega. Atenção, isto não é uma crítica a ti nem à tua capacidade de te sentares na casa de banho em paz.

É uma crítica ao contexto em que vivemos.

Nas últimas décadas, habituámo-nos a viver rodeados de ruído, urgência e estímulos. Chamamos-lhe produtividade, mas tem outro nome: vício.

Há sempre mais um email para responder, mais uma tarefa para fazer, mais um vídeo para ver. E quanto mais tentas acompanhar esse ritmo, mais exausto e sobrecarregado acabas por ficar.

Faz-me lembrar uma conversa entre dois krill no filme Happy Feet 2 (o krill é aquele bicho minúsculo de que as baleias se alimentam e que anda em enxames de milhões). A certa altura, um deles decide parar de nadar e diz ao amigo:

— Quero ser livre, Bill.

— Livre? Isso não existe. Vá lá, menos pensar e mais nadar com os outros.

— Estou farto de nadar com os outros. Passámos a vida inteira a fazer isso.O que achas que há para lá do enxame Bill?

— Mais enxame.

— E depois?

— Mais enxame.

— E depois?

Se calhar, cada um de nós precisa de um Will para o seu Bill. Um lado nosso que para e pergunta se o que andamos a viver faz mesmo sentido.

Produtividade lenta

Numa cultura em que ter sucesso parece ser o mesmo que estar ocupado, a solução não é fazer mais e mais depressa. É parar de reagir.

Cal Newport chama-lhe Produtividade Lenta, e assenta em três princípios:

  • Faz menos. Quem faz três coisas bem chega mais longe do que quem faz doze de forma medíocre.
  • Trabalha a um ritmo natural. Não és uma máquina. És um ser biológico, com ritmos, estações e limites.
  • Foca-te na qualidade. A qualidade exige limites, e os limites exigem coragem para dizer que não, de vez em quando.

No fundo, a produtividade lenta é um convite a dar um passo atrás no meio do caos e perguntar: o que raio estamos a fazer, e faz sequer sentido fazê-lo?

E amanhã de manhã, deixa o telemóvel fora da casa de banho. Os pelos encravados agradecem a atenção.

Exercício caótico

Experimenta os três princípios:

  1. Faz menos.

Escolhe três coisas que realmente importam.

  1. Trabalha a um ritmo natural.

Repara em que horas do dia tens mais energia e reserva essa hora para pelo menos uma das tuas três coisas.

  1. Foca-te na qualidade.

Para outras, decide se as cortas, adias ou passas para outra pessoa.

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