Procuram-se líderes para viagem perigosa
Pandemias. Guerras. Alterações climáticas. Inteligência artificial. Colapsos económicos. Cada um destes eventos chegaria para marcar uma geração inteira, mas nós apanhámo-los todos de uma só vez.
E, para piorar, estamos a tentar gerir esta confusão com os ideais do século passado.
Não acreditas em mim? Pensa lá quantas vezes ouviste esta história:
“Porta-te bem. Estuda. Tira boas notas. Arranja um emprego estável. Poupa. Compra casa. Constitui família.”
Durante gerações, esta foi a história que nos contaram sobre como ser bem-sucedido na vida. E funcionava numa altura em que se mantinha o mesmo trabalho a vida toda e um único ordenado era suficiente para sustentar uma família.
Mas hoje, um jovem entra na universidade sem saber se a profissão para a qual estuda ainda existirá quando sair. Há quem pague por um quarto o que os pais pagavam por uma casa. E há trabalhadores com décadas de experiência que se tornaram dispensáveis, substituídos por um algoritmo.
O século XXI é o século do caos.
Uma colisão nunca antes vista de culturas, ideias e pessoas, a uma velocidade que nenhum de nós aprendeu a acompanhar. Para a enfrentarmos, precisamos de mais do que a sabedoria que herdámos. Precisamos de uma nova forma de olhar para nós próprios, para as nossas organizações e para os nossos governos.
No fundo, precisamos de uma nova geração de líderes.
Mas o que significa liderar no século do caos?
Durante séculos, vimos o líder como alguém confiante, assertivo e certo do caminho a seguir (a própria palavra, na sua origem, significa “guiar” e “conduzir os outros”).
Mas, num mundo que não para de mudar, ninguém faz a mínima ideia de qual é o caminho.
Por isso, deixo-te um aviso.
O que vais encontrar neste projeto não é uma fórmula para resolver a tua vida, muito menos para resolver os problemas do mundo (ninguém tem essa fórmula, e desconfio de quem diga que a tem). É, sim, um ponto de partida para liderares melhor a tua vida no meio da incerteza.
Aceitar o pouco controlo que temos e avançar para o desconhecido. Na verdade, é um convite para uma jornada um pouco louca, que me lembra de outro louco que decidiu atravessar a Antártida.
Uma viagem sem retorno
Em 1914, Ernest Shackleton quis testar os seus limites e atravessar a Antártida, uma das viagens mais perigosas que se pudessem imaginar na época.
Reza a lenda que, para encontrar quem o acompanhasse, publicou num jornal de Londres um anúncio que dizia algo do género:
“Procuram-se homens para viagem perigosa. Salário baixo, frio extremo, longos meses de escuridão total, perigo constante, regresso em segurança duvidoso. Honra e reconhecimento em caso de sucesso.”
Nem uma palavra para suavizar o que vinha aí. E foi precisamente por isso que apareceram as pessoas certas.
Deixa-me fazer o mesmo contigo. Este caminho não te promete uma vida sem caos. Na verdade, o mais provável é que te traga mais perguntas do que respostas.
- Vais perceber que não controlas a tua vida, por mais que tentes.
- Que os planos falham, faças o que fizeres.
- E que a decisão “perfeita” não existe, por mais que esperes por ela.
Foi assim que, há cem anos, alguém leu um anúncio que não prometia nada além de desconforto e se apresentou para explorar a Antártida.
Deixo-te o mesmo convite. Sem garantias de regresso, mas com a certeza de que vale a pena explorar os recantos do teu próprio caos, por mais desconfortáveis ou intimidantes que pareçam.
A partir daqui, a escolha é tua.
Escreve o que significa para ti ter “sucesso”.
Não te preocupes em descobrir a resposta certa. Não passa de uma história que contas a ti mesmo (podes sempre reescrevê-la).
Queres ir mais longe? Conhece o workshop Lead in Chaos ou o Coaching 1:1.